Já
lhe aconteceu ter um determinado comportamento ou atitude e posteriormente
arrepender-se? Eu já. Isto acontece quando reagimos de forma emocional, de
forma automática. Uma das coisas que fazem com que nós percamos a cabeça muitas
vezes é o fato de não termos controle total sobre os nossos pensamentos e
ações.
Sim,
o equilíbrio emocional é extremamente importante para tomarmos decisões certas
na nossa vida.
O
nosso equilíbrio emocional está dependente do conhecimento que temos dos nossos
estados internos e da influência que estes têm sobre o nosso pensamento,
comportamento e atitudes. Tal como um atleta de alto nível que no momento
decisivo tem de saber controlar as suas emoções a favor do melhor desempenho
possível, assim é na nossa vida, para que possamos desempenhar um conjunto de
atividades que nos sirvam, temos igualmente de ter controle sobre as
nossas representações internas através dos cinco sentidos: visão, audição,
tato, paladar e olfato.
As
pessoas não têm normalmente, falta de controle sobre os seus recursos. Tenho
por objetivo explicar a forma de mudar os seus estados, para que possa produzir
o que quiser e quando quiser. Ensiná-lo-á a ter controle, a tirar mais partido
da sua vida, a mudar os seus estados, as suas ações e, conseqüentemente, os
resultados que produz no seu corpo.
DESENVOLVIMENTO DA MUSCULATURA
EMOCIONAL
Nós
apenas conseguimos aprender quando seletivamente e intencionalmente colocamos a
nossa atenção nos estímulos e informação que escolhemos, com base na
nossa livre vontade. Como seres humanos, temos o privilégio de escolher onde
colocar a nossa atenção, e durante quanto tempo.
Considere esta idéia:
A
realidade pode existir onde quer que a nossa mente se foque.
Por
exemplo, nós conseguimos reavivar uma memória de dor, e em questão de segundos,
trazê-la para a nossa vida. Nós conseguimos ainda reviver a experiência
emocionalmente. Quando o fazemos, quer gostemos ou não, o nosso cérebro cria
uma libertação intensa de sinais químicos para o corpo, e produz praticamente o
mesmo efeito da experiência original. A nossa atenção é dinâmica. Conseguimos
projetá-la para o futuro ou conseguimos transportá-la para o passado. A nossa livre
atenção pode ser a nossa maior dádiva ou o nosso maior pesadelo.
Conseqüentemente se conseguirmos desenvolver a “musculatura emocional” tal qual
um atleta desenvolve os seus músculos, desenvolvemos igualmente a capacidade de
atingir uma concentração focada, os nossos pensamentos podem tornar-se mais
reais que o mundo externo.
Como é que isto é possível?
Estamos
a falar na capacidade de controlar os elementos da realidade em que nos
queremos focar. Focarmo-nos em algo, tem a ver com a capacidade de fazer
escolhas e tomar decisões sobre total controle. Para tudo é necessário
trabalho. É necessário criar o hábito de dirigir a nossa atenção para a
informação que achamos relevante para determinada situação e depois
controlá-la.
TREINAR A MUSCULATURA EMOCIONAL
Tal
como quando vamos a um ginásio para desenvolver a nossa condição física e nos propomos a um trabalho contínuo,
com propósito e comprometimento, é exatamente aquilo que cada um de nós tem de
fazer: praticar e exercitar os poderes da concentração. Não é diferente daquilo
que fazemos quando aprendemos a jogar tênis. Você nunca reparou no antebraço de
um jogador profissional de tênis?
O
braço com que ele joga é mais desenvolvido que o braço não dominante. Isso não
acontece devido a nenhuma anormalidade genética, mas devido ao constante uso do
braço que agarra a raquete em detrimento do outro.
Nós
conseguimos fazer o mesmo com a nossa mente: conseguimos praticar a capacidade
diversas vezes sem conta para desenvolver o lobo frontal do nosso cérebro, para
que funcione a um nível muito elevado. Nós
podemos fazer com que o nosso cérebro funcione melhor, e
conseqüentemente tomamos decisões adequadas sobre o nosso controlo.
O
desenvolvimento muscular no jogador de tênis, não é para a aparência, mas para
ser funcional. Mais massa muscular dá ao jogador mais capacidade e mais
controle sobre os seus movimentos. O cérebro de alguém que expandiu a sua
capacidade, não tem os lobos frontais maiores, mas consegue acionar mais áreas
funcionais e assim trabalhar com mais eficiência. Quando nos disciplinamos e
controlamos os nossos impulsos, estamos também a utilizar esta área
especializada do cérebro.
CONTROLE DOS IMPULSOS
O
que é extraordinário para o desenvolvimento do equilíbrio emocional, é que o
lobo frontal inibe os comportamentos fortuitos (através de um processo chamado
de controle dos impulsos), de forma que cada pensamento
não provoque um ato sem previamente ter sido pensado sobre as suas
conseqüências. Este processo certamente evitaria a todos nós muitos problemas
provocados pela ausência de raciocínio lógico de grande parte das nossas ações
menos ajustadas.
A reter: A
expressão das nossas emoções sobre controle e sobre a égide do raciocínio
torna-se numa vantagem para a vida de todos nós.
Um
reduzido nível de atividade no lobo frontal conduzirá a um fraco controlo
sobre as emoções e comportamentos impulsivos, o que provocará uma
excessiva ativação da amígdala, que por sua
vez provocará elevados níveis de reação emocional e tomada de decisão
impulsiva. Tal como ocorre num ataque de pânico.
O
desenvolvimento da musculatura emocional e conseqüente fortalecimento do foco,
permite-nos tomarmos decisões que suportam os nossos desejos em relação a um
determinado objetivo.
Quando
temos um elevado equilíbrio emocional, os nossos comportamentos correspondem ao
nosso propósito, e as nossas ações correspondem às nossas intenções. A nossa
mente e corpo são apenas um.
Quantas vezes os nossos
comportamentos e propósito correspondem completamente? Quão freqüentemente
damos por nós em disputa com as nossas intenções e ações?
“Eu
pretendo voltar a estar em forma novamente, e correr 5 km todos os dias. Eu
tenho intenção de deixar de beber refrigerantes com açúcar. Eu tenho intenção
de ser mais paciente com os meus filhos, esposa e colegas de trabalho. Eu tenho
intenção de perder 10 kg até ao final do ano.”
Existe
uma expressão que reflete este pensamento: O
nosso ego por vezes passa cheques que o nosso corpo não pode pagar. Bem, o ego está simplesmente a seguir
ordens da nossa mente, por isso devemos colocar o fracasso/falha exatamente
onde pertence: Na nossa força de vontade para
agir.
Por
vezes não seguimos em frente porque nós simplesmente “não sentimos isso.”
Quando deixamos os nossos sentimentos tomarem o controle, a nossa mente
“adormece”, e fazemos correr o programa automático, reagindo todos os dias à
constante tagarelice na nossa cabeça. O desenvolvimento da musculatura
emocional, através do treino do lobo frontal, pela ação da atenção intencional,
permite-nos silenciar o diálogo interno que nos retira as aspirações e
elevação.
A reter: A
ferramenta a treinar, é a capacidade de dirigir intencionalmente a nossa
atenção para os nossos estados internos (pensamentos, sensações corporais,
sentimentos, emoções) e controlá-las de forma a alterarmos o nosso estado, para
um estado de recursos tal que possamos agir de acordo com as nossas intenções
COMO CONTROLAR O NOSSO ESTADO
EMOCIONAL?
Para
cada pensamento existe um determinado estado interno que é gerado (batimento
cardíaco acelerado, fluidez de pensamento, aumento da temperatura corporal,
tensão muscular aumentada, sudação, entre outros), estes sintomas, representam
a preparação do corpo para a ação. Se antecipadamente não nos apercebermos
destes estados, eles vão gerar atitudes e comportamentos automáticos, irão
formar uma resposta emocional, na maioria das vezes de forma impulsiva e pouco
inteligente.
Em
contraste quando conseguimos construir uma representação interna ou conceito
das nossas intenções, independentemente dos fatores externos, a nossa mente irá
tornar isso real, e produzir um “estado de ser” que se comporte em consonância.
Este poder intencional é aquilo que admiramos nas pessoas que consideramos
extraordinárias, nas pessoas que consideramos como nossos heróis.
“Nada
tem mais poder sobre mim do que aquele que eu atribuo aos meus pensamentos
conscientes.” Anthony Robbins
Wiilliam
Wallace, Martin Luther King, São Francisco de Assis, Mahatma Gandhi, eram todos
mestres do controle emocional, tinham todos o lobo frontal muito desenvolvido.
Conseguiam manter um elevado foco nas suas intenções: princípios de liberdade,
não violência, honra, amor. Nunca se afastaram desse ideal, independentemente
das dificuldades que enfrentavam.
Todas
estas pessoas extraordinárias tinham a capacidade para intencionalmente tornar
um ideal tão real, que através da sua constante atenção num conceito
particular, tornavam-no mais importante do que a necessidade dos seus
corpos, das suas condições de vida ou até da concepção de tempo. Tal como um
atleta que persegue o sonho de ser medalhado, participar nos Jogos Olímpicos,
ou ganhar um campeonato, propondo-se para o efeito levar o seu corpo ao limite.
Apenas o seu ideal ou sonho conta. Nada os impede de perseguirem o seu
propósito.
A reter: O
principio para desenvolver o equilíbrio emocional, é a capacidade para
focar intencionalmente todos os recursos do organismo no propósito que
pretendemos alcançar.
COMO TRABALHAR NO EQUILÍBRIO
EMOCIONAL
Quando
os seres humanos querem mudar algo, normalmente querem uma de duas coisas ou
ambas: como se sentem, isto é, o seu estado e/ou como se comportam. O nosso
comportamento é o resultado do estado em que estamos. O equilíbrio emocional é
também um estado. Se você pudesse estalar os dedos e entrar no estado mais
dinâmico e com maior quantidade de recursos disponíveis, um estado no qual está
excitado, seguro do seu sucesso, o seu corpo está a vibrar de energia, a sua
mente está viva? Bem, mas pode.
A
maioria dos nossos estados acontece sem qualquer ordem consciente da nossa
parte. Vemos algo e reagimos a isso entrando num determinado estado. Pode ser
um estado com muitos recursos e útil ou em estado sem recursos e limitador, mas
a maioria de nós não faz praticamente nada para controlá-lo.
Quase tudo na vida que as
pessoas querem é um estado de possibilidade. Faça
uma lista das coisas que quer na vida. Quer amor? Bem, o amor é um estado, um
sentimento ou emoção que comunicamos a nós próprios e sentimos dentro de nós
próprios com base em certos estímulos do ambiente. Confiança? Respeito? São
tudo coisas que criamos. Produzimos estados dentro de nós.
Talvez
queira dinheiro. Bem você não quer propriamente pequenos pedaços de papel
adornados com diversas cores e símbolos, você quer aquilo que o dinheiro
representa para si: amor, confiança, liberdade, calma, segurança, ou qualquer
outro estado que o dinheiro possa ajudar a fornecer. Assim a chave para o
equilíbrio emocional, a capacidade para ter aquele poder que o homem busca há
anos: a capacidade para dirigir a sua vida – é a
capacidade de saber dirigir os seus estados.
A
chave para produzir os resultados pretendidos, é representar as coisas para si
de uma forma que o coloque num estado com tantos recursos que você fica
habilitado a empreender os tipos de qualidades de ações que criam esses
resultados. A diferença entre as pessoas extraordinárias atrás referenciadas e
outras pessoas é que eles representam o mundo como um lugar onde podem produzir
qualquer resultado que desejam profundamente.
TOME O CONTROLE DAS SUAS AÇÕES
E CONSEQUENTES ESTADOS
A
vida é como um rio que está em movimento, como verificamos no exemplo do
equilibrista. Você pode ficar à mercê desse rio se não empreender ações
deliberadas e conscientes para se guiar a si próprio numa direção que
predeterminou. Se não plantar as sementes mentais e fisiológicas dos resultados
que deseja, as ervas daninhas crescerão automaticamente. Se nós não dirigirmos
conscientemente a nossa própria mente e estados, o ambiente em que vivemos pode
produzir estados acidentais indesejáveis. Os resultados podem ser desastrosos.
Assim é vital que, diariamente, estejamos atentos à nossa mente, que saibamos
como é que, de uma forma consciente, estamos a representar as coisas para nós.
Lembre-se,
de acordo com a psicologia positiva, temos sempre uma escolha acerca de
como representamos as coisas para nós próprios. Se você cria uma representação
em que a pessoa que ama o está a enganar, rapidamente se encontrará num estado
de raiva e fúria. Você não tem qualquer prova de que isso é verdade, mas
experimenta-o no seu corpo como se fosse, de forma que, quando a pessoa que ama
chega a casa, você está desconfiado ou zangado. Neste estado, como é que trata
a pessoa que ama? Normalmente não muito bem, certo? Pode agredi-la ou atacá-la
verbalmente, ou simplesmente sentir-se mal internamente e criar outro
comportamento de retaliação mais tarde.
Lembre-se
a pessoa que você ama pode não ter feito nada, mas o tipo de comportamento que
você produz a partir desse estado vai provavelmente fazer com que ela queira
estar com outra pessoa. Se for ciumento, você cria esse estado. A alternativa é
você alterar as imagens negativas em imagens construtivas, por exemplo, ver a
pessoa que ama a esforçar-se por chegar a casa. Este processo de criar imagens
positivas colocá-lo-á num estado em que, quando a pessoa chegar a casa, você
vai comporta-se de uma maneira em que ela vai sentir-se desejada. Podem existir
situações em que a pessoa pode estar a fazer aquilo que você imaginou, mas para
quê desperdiçar um conjunto de emoções antes de ter a certeza?
A
maioria das vezes é muito improvável que não seja verdade, no entanto, você deu
origem a imensa dor, e para quê?
RESUMINDO
Se
assumirmos o controle sobre a comunicação que mantemos conosco próprios e
produzirmos estímulos visuais, auditivos e sinestésicos daquilo que
queremos, podem obter-se resultados positivos extraordinários, mesmo em
situações em que as probabilidades de sucesso parecem limitadas ou
inexistentes.

